sexta-feira, maio 14, 2004

Recém-solteiro

Possivelmente não há melhor oportunidade para se começar um blógui do que um fim de namoro.

Namoro daqueles que a gente muda pra casa do outro todo fim-de-semana, assiste DVD, come pipoca, vai à feira ou faz cosa melhor. Namoro-Blockbuster. Namoro-Padaria. Namoro-Sorveteria. Namoro mais Moema, menos Jardins. Namoro que não dá vergonha de dizer te adoro, tou apaixonado, tenho saudades, quero te ver hoje, vou praí agora. Namoro que a gente faz tudo pra dar certo e chega mesmo a acreditar que vai dar certo. Perdoa defeitinhos, equívocos e cabeças-durices. Na verdade, passa até a curtir parte destes defeitinhos, equívocos e cabeças-durices.

Ontem foi a missa de sétimo dia de um namoro que tinha o bastante pra dar certo. Já não me sinto assim tão dramático e por isso decidi arregaçar (as mangas) e publicar umas idéias bonitinhas tiradas do meu bloco de notas ultra-secreto. Só uns 10% na verdade, pois o resto é um lamaçal obsceno, displicentemente escrito e impublicável.

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Quando a gente consegue ter certeza
de que superou uma perda?


Li/Vi/Ouvi esses dias que se leva metade do tempo que durou a relação para conseguir desencanar de vez. Bullshitagem. Americanos precisam de estatísticas que lhês dêem alguma certeza momentânea. Tadinhos. Eu prefiro chamar o outro na xincha (como escreve isso?) pra discutir relação (DR). Pra sair logo da situação. Sem jogos, sem demonstrações de poder, sem psicodrama, sem dizer 'tudo bem'. Não, numa hora destas, porra nenhuma está bem. Numa hora dessas, não se pode passar batido pela DR... DR pode doer mais, manchar a reputação, cheirar mal, não se usa mais, não é moderno. Mas é como Merthiolate®: funciona superbem.

Um sinal de que tenho grandes amigos é que eles foram muito diretos comigo, me ajudaram a racionalizar a situação toda. Sem cair nessa de diminuir ou menosprezar A.C. como forma de me colocar pra cima. Thanx pipol!

Ainda tou em período de testes, mas desconfio que o ponto de virada foi quando consegui finalmente chorar de verdade. Isso depois de uma semana, pela teoria aquela seriam duas. Já é um consolo. Obrigado Caetano. Obrigado Jobim. Obrigado Newton Mendonça. Esse CD caiu na minha mão na melhor hora. Prenda Minha, de Caetano, música 3, repetir 10 vezes seguidas, pensando nos bons momentos:



Meditação
(Tom Jobim/Newton Mendonça)

Quem acreditou
No amor, no sorriso, na flor
Então sonhou, sonhou
E perdeu a paz
O amor, o sorriso e a flor
Se transformam depressa demais

Quem no coração
Abrigou a tristeza de ver
Tudo isso se perder
E na solidão
Procurou um caminho a seguir
Já descrente de um dia feliz

Quem chorou, chorou
E tanto que seu pranto já secou

Quem depois voltou
Ao amor, ao sorriso e à flor
Então tudo encontrou
Pois a própria dor
Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou