Cansei de ser Libriano
Librianos como D*b* são pessoas tolerantes, bons companheiros e muita gente acha legal tê-los por perto para falar da vida. Pra saber do seu quase sempre equidistante ponto de vista, pra saber o que alguém com um grau de tolerância supostamente acima da média tem a lhes dizer. E eles, os librianos, sentem-se superfelizes com isso. Envaidecidos até.
Mas essa coisa de ser tolerante, de querer enxergar em falhas graves meros mal-entendidos, de tentar arredondar tudo, leva librianos como D*b* a situações extremas também. E extremos não são o forte dos librianos. Quando isso acontece, sua tolerância vira facilmente permissividade. E aí começam a fazer mal a si próprios, como por exemplo, quando namoram o tipo de gente que a maioria das pessoas teria até vergonha de apresentar pros amigos. Mas D*b* não tem. Nunca teve.
Bueno, eu já ouvi por aí que mais ou menos depois dos 28 ou 30 anos, o ascendente começa de alguma maneira a predominar sobre o signo solar. Que bom, pois já estava na hora do Capricórnio aqui falar mais alto, botar os pés na terra e tacar o aéreo libriano pra escanteio. Ou deixá-lo no banco de reservas, pra fazer a substituição na hora certa. Porque D*b* não acha mais essa fauna toda que já passou pela sua vida tão interessante e digna da sua atenção. Não quer mais ficar com uma Barbie só por que ela tem senso de humor e uma bunda gostosa, não quer mais bissexuais complicados, não quer trintões que ainda têm vergonha de gostar de homem, não quer mais namorar caras que escrevem 'quizer', 'talves' e ainda se consideram cultos. Porque D*b* já leu, viajou, trabalhou, provou e peitou muita coisa nessa vida. E agora que tem cuidado melhor de si, não há mais lugar para experiências que não sejam absolutamente satisfatórias para ele. Quer dizer, para ambos, porque D*b* ainda é libriano fervoroso.
D*b* se considera fisicamente banal e não faz muito esforço para parecer diferente, a não ser pelos seus cabelos desgrenhados e óculos esquisitos. Mas parte do mundo tem uma certa atração por ele. Parte esta onde nunca se incluem, naturalmente, aqueles 3,5% que atraem D*b*. Mas ele aceita essa regra universal e não sofre mais com ela. Sabe que se há regra, há também exceções que merecem toda a sua atenção e tolerância. Mas nenhuma permissividade. Não mais. Por isso D*b* tem preferido cada vez mais tipos comuns como ele, discretos quase sempre, tímidos pero no mucho, que gostem de beber e falem de tudo, que saibam ouvir, que sejam maleáveis e não se considerem assim tão bem-resolvidos (principalmente quando são incapazes de olhar pra si mesmos um pouco mais a fundo). E que, de preferência, tenham mais livros do que roupas em casa. Revistas de moda e design não contam.
D*b* acha que nesta última segunda-feira conheceu alguém assim. Mas não quer se jogar ainda, pois não tem certeza se do outro lado também existe alguém capaz de ser tolerante com ele.

2 Comments:
Ave Maria.
;-]
8:18 PM
Caralho... cheguei tarde.
Rique (AVMK?)
1:36 AM
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