terça-feira, junho 22, 2004

Odete Roitman já dizia...

Domingo ensolarado, Avenida Paulista, caminhando rumo ao Ibirapuera. A principal avenida do meu bairro, da minha cidade, do meu país, virou um mercado persa, sem o charme do original. E piora a cada dia. Odeio bugigangas que cintilam e tilintam, odeio arte naif, odeio yakissoba queimado, odeio camelôs que entopem a esquina da Brigadeiro. Botox neles, Marta.

Tarde de sexta-feira, descendo a Haddock Lobo. Ô gente desocupada, são 16:55, tenho reunião na Faria Lima em 5 minutos e vocês aí, parando o carro pra fazer comprinhas bem no meio da única pista transitável. Xô, peruas.

Saindo do Ritz debaixo de chuva, atravesso a pé uma cascata que desce pela Augusta. Por quê? Porque o infeliz que projetou e construiu esse bairro de gente abonada chamado Jardim Paulista não fez esgoto pluvial. Nem vai fazer.

Aeroporto de Guarulhos, guichê da Alitalia, dezembro de 2003. Basta estar vestido com alguma dignidade pra saírem falando em italiano com você. Aeroporto de Malpensa, Milão, janeiro de 2004. Na fila de embarque do vôo para São Paulo, metade das mulheres são elegantes. A outra metade fala português. Agora eu entendi.

Ou, como Odete Roitman já dizia,
"Não existe vida civilizada abaixo de Milão.".