Netiqueta em Tempos de Orkut
Faz dois meses que uma amiga enviou um e-mail em inglês com um remetente esquisito. Quando vejo e-mails em inglês leio duas linhas e já deleto, pois sei que é tudo spam e não estou precisando de 'pennis enlargement' no momento. Mas aí essa amiga explicou que o Orkut, apesar do nome, era superconfiável, todo mundo já estava lá e que eu não iria começar a receber spams por me cadastrar.
Ainda desconfiado, mas devidamente persuadido, fui conferir. A primeira atitude foi procurar os amigos, em uma semana já passavam de cem, certamente fui um dos últimos a chegar. Na maioria, povo do mercado de internet ligado nessas novidades, gente que trabalha pacas, que nunca tem tempo pra se ver mas tem mais de 350 amigos on line, que vai parar do dia pra noite em Miami, Toronto, Noviórque, Londres ou Madri e que está acostumada há anos com esses encontros via messenger, listas de discussão, sites de comunidades, essas coisas a que só recentemente aderi, mais pela necessidade de alfabetização internética. Eu já estava virando um dinossauro...
Depois vieram ex-colegas de trabalho e faculdade, o pessoal da publicidade, clientes, conhecidos da noite, pretês, família. E um ou outro amiguinho da fase gaydar buscando algo além de peitos, paus, bundas. Toda essa galera tem acesso livre ao meu endereço profissional, às preferências culturais e afetivas, às indiscrições do meu scrap book, às comunidades de gosto duvidoso e aos comentários escrotos que às vezes deixo por lá. Sem problemas. Pois qualquer pessoa da minha lista de amigos, mesmo entre os clientes, seria muito bem vinda à minha casa também e logo perceberia que tenho uma bandeirinha do arco-íris sobre o bar e a coleção completa de Sex and the City junto à TV.
Mas se a exposição da própria intimidade aos conhecidos já deixou de ser problema há anos - ou jamais teria um blógui como esse, por exemplo - começa a virar uma pedrinha no sapato quando aberta ao mundo. No país das relações fáceis, onde o ritual de apresentar-se ou ser apresentado entrou em rápida extinção, começam a pipocar 'amigos' que você nunca viu na vida. Pessoas que conhecem seu trabalho mas não têm nada a ver ou a dizer a respeito, pessoas com um ou outro gosto em comum que te adicionam como amigo sem perceber o quão desinteressantes elas podem parecer para você, pessoas a fim que não têm o menor dom para a comunicação ou que são irremediavelmente feias, fazer o quê? Só para piorar minha sensação sobre essas abordagens, semana passada recebi uma mensagem mais ou menos assim:
"Você não mora na esquina da rua tal com a rua tal? Te vi entrando no prédio ontem à noite, um amigo meu mora lá."
Só isso. Nenhuma referência ao tal amigo pra tentar criar algum vínculo, nenhuma simpatia ou intenção declarada, embora estivesse óbvia, pois o cara é gay. Mostrei a mensagem pra dois colegas de trabalho pra ver se estava sendo paranóico. Procurei ser imparcial e perguntei a eles algo como: "Fulano, recebi isso pelo Orkut, o que você achou?". As reações foram ainda mais indignadas do que a minha. E pra piorar, o cara era um trubufu - como sou comestível e tenho carinha de bom moço, normalmente viro ímã pra trubufus (saco!). Bueno, ainda não cheguei ao ponto de me sentir observado ou mesmo seguido por aí, mas por via das dúvidas, começo a apagar eventuais referências de lugares que freqüento, e-mail pessoal, etc. No mais, o botão deletar continua sendo a melhor resposta às piores abordagens. Mas, mesmo certo de que esta é a melhor saída para tanta falta de noção, tenho uma pontinha de curiosidade pra saber o que Danuza diria a respeito.
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Nada a ver com isso, mas NÃO AGUENTO MAIS A BRITNEY! Quinta na Mood, sexta no Gourmet, sábado outra vez e domingo no Bailão. Pelo menos sábado no D-edge (ainda) não tocou, já deu pra desintoxicar um pouco. Os ouvidos agradecem.

9 Comments:
É aquela velha história... todo mundo no orkut adicionando nicknames, cheios de 'amigos', mas todos tão solitários como antes. Como diz um amigo meu, o Tommie, as pessoas gostam de mostrar seus sucessos, suas vitórias, mas poucos se mostram pra mostrar as derrotas, as dores e a solidão. E aí está o orkut pra tentar mostrar de novo o quanto todo mundo parece ser feliz, popular e sociável o tempo todo.
Rique (AVMK?)
3:42 PM
Pois é Rique, às vezes me pergunto como é que tem gente por aí tentando parecer tão interessante sem (aparentemente) jamais ter sofrido ou chorado. Aí vejo que debaixo dos sorrisinhos congelados, referências mil, demonstrações de poder e estabilidade mora um serzinho carente e medíocre capaz, por ex., de reconstruir essa mesma imagem na internet adicionando dezenas ou centenas de amigos desconhecidos. Por outro lado, penso que nem todos meus clientes precisam saber que tomo 1 garrafa térmica de café por dia e que tenho sofrido de insônia (parece q passou!) e percebo que existe uma inevitável contradição entre minha imagem pública e a real, entre o que publico no perfil do Orkut e o q escrevo aqui. Por isso, admiro muito aquele linkezinho do seu perfil pro seu blog, é preciso ter coragem pra fazer isso (um dia chego lá...) :-)
Ô Luis, nem precisava ter assinado desta vez, ÓÓÓÓBVIO que só podia ser vc! :-) 1) centenas de amigos no Orkut significa apenas que meus amigos são muito mais NERDS do que os seus. 2) descobri que amizades instantâneas começaram a surgir no momento em que publiquei comentários em algumas comunidades e, pensando bem, é lógico: são centenas de possíveis expectadores e só uns poucos abrem a boca, vc acaba ficando em evidência querendo ou não. 3) observando a natureza sombria das comunidades às quais vc pertence, recomendo evitar fazer o mesmo, pra não poluir um circulo de amizades tão seleto qto o seu. 4) Vc está com um carinha ótima e uma corzinha melhor ainda. Que perigo! :-P
12:42 AM
corrigindo, Luís: Vc está com "UMA" carinha ótima e uma corzinha melhor ainda.
12:48 AM
Daniel é você? Vi o teu comentário no AVMK? Eu não sabia que era responsável por isso!!! heheheh Quanto ao orkut, até achei legal por encontrar amigos que não via há tempos, ou alguns, dos blogs, que não conhecia os rostos, mas não gostei muito da fórmula, esperava algo mais interativo! Vou te adicionar aos meus links no meu blog! Beijos!!!
9:22 AM
Oops! I did again... gcb
9:24 AM
Luis, eu só queria dizer que vc é ÚNICO! Não conheço outra pessoa capaz de fazer um comentário assim tão 'ninguém me ama, ninguém me quer'... :-)
GCB, sou eu sim! E aquela noite no Enigma foi algo! Lembro de estar entrando com modelão festa de formatura, suspensório e tudo, maozinhas dadas com meu ex e a bicharada toda olhando com cara de 'ueba... carne nova no pedaço!' Será que aquele buraco ainda existe? :-)
1:05 PM
Não consigo acessar teu blógui, já tentei umas vezes mas dá erro! Como vc sabe, eu já circulava por lugares suspeitos de POA na época, como o Brique, mas nenhum assim tão explícito como naquela noite. Se o Enigma acabou, deve ter um inferninho equivalente, no fim do ano fui naquele da Glória Cristal na Cristóvão, nesse em que ela oferece os Gogoboys pra gente passar a mão. Podre, mas Xodibola! Ah, já tomei meia cerveja com o Rique sim. Bjão.
11:43 AM
Ele disse bem: "meia" cerveja. A partir de então, ele "meio" que me esnoba com um "meio" "oi, e aí, tudo bem?" (Rique magoado).
3:56 AM
Hahahaha. Olha só, um ômi desse tamanho magoadinho... tsk tsk tsk... Pinta lá q a gente toma a segunda metade dessa cerveja, pô! :-)
5:13 PM
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