quarta-feira, agosto 18, 2004

Sem Correr, Bem Devagar

Depois de algumas andanças não consigo deixar de sentir algum carinho por aqueles com quem me envolvi nos últimos 5 meses, especialmente A.C. e L.C.. Houve no meio do caminho, sem dúvida, desfechos infelizes, mal-entendidos e maledicências de ambos os lados. Quisera eu que, nos piores momentos, tivéssemos sido elevados o bastante para evitar conflitos desnecessários, tivéssemos ambos encontrado coragem suficiente para expor nossas frustrações, para dizer aquilo que dois adultos que se respeitam e que foram íntimos por algum tempo jamais deveriam ter medo de confessar olho no olho. Nesses meses que passaram, estive do lado de cá e de lá dessa mesma história: fui alternadamente aquele que perdeu e aquele que pôs a perder. Portanto, não há qualquer julgamento aqui. Mas independente dos términos nada agradáveis, superados os traumas, resolvidos ou não os mal-entendidos, restaram no final das contas as boas lembranças. Sabe-se lá que mecanismo fez com que a alegria dos melhores momentos permanecesse por mais tempo. Otimismo exacerbado, ilusão, puro instinto de sobrevivência ou todas as alternativas anteriores?

Penso hoje no que passou e fica uma ligeira sensação de que tais relações, apesar de toda a sua intensidade e importância, teriam sido tão somente preliminares do que estaria por vir. Preliminares porque, de alguma maneira, o desfecho de uma parece ter deixado uma lição muito clara para o começo da outra. Lições estas que não foram esquecidas.

Bueno, tudo isso é muito bonito, mas uma hora essa espiral confusa, essa sucessão de paixões arrebatadoras e seus desfechos surpreendentes tinha de terminar de algum jeito. Foi há pouco mais de duas semanas, naquele sábado quente de lua cheia e muitas cervejas, depois de discretos olhares, que decidimos finalmente trocar uma idéia, ouvir cds, contar histórias, tomar o último gole de vinho ao amanhecer e dormir abraçados por algumas horas. Pela química e a surpresa do primeiro encontro, percebemos que poderia valer muito a pena. Expectativas ajustadas, ansiedade inicial controlada, mal-entendidos evitados, conhecemos devagarinho o outro mais a fundo - as lições preliminares não foram totalmente em vão. E aquele que inicialmente poderia ter sido mais um “cara legal” na minha vida, é esse que se revela, a cada dia e a cada encontro, a relação mais leve, deliciosa e verdadeira que poderia acontecer a dois caras que já andavam um pouquinho descrentes de tudo e de todos...

Bem Devagar
Gilberto Gil

Sem correr
Bem devagar
A felicidade voltou pra mim
Sem perceber
sem suspeitar
O meu coração deixou você surgir

E como o despertar depois de um sonho mau
Eu vi o amor surgindo em seu olhar
E a beleza da ternura de sentir você
Chegou sem correr
Bem devagar

Amor velho que se perde
Sai correndo para outro ninho
Amor novo que se ganha
Vem sem pressa, vem mansinho

3 Comments:

Blogger D*b* said...

Desconfio que esse blog vai ficar bem mais meigo a partir daqui... hehehe

12:18 PM

 
Anonymous Anônimo said...

fofo! rs
aliás pelo carinho e beijos apaixonados que presenciei ontem, parece que realmente as coisas vão de vento em popa. muito legal isso... boa sorte pra vcs. abração

alien

7:45 PM

 
Blogger D*b* said...

:-)

10:55 PM

 

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