terça-feira, novembro 02, 2004

Hiperestesia x Anestesia

Hiperestesia
paroxismo da sensibilidade, tendente a transformar as sensações ordinárias em sensações dolorosas; acuidade anormal da sensibilidade a estímulos

Anestesia
suspensão geral ou parcial da sensibilidade, que pode ser espontânea, em decorrência de problemas neurológicos, ou induzida por um agente anestésico. Estado de impassibilidade, apatia.


Para alguém cuja timidez e a frieza roubaram tantas oportunidades na vida, suprimiram tantos sentimentos que insistiam em surgir contra a sua vontade, para alguém que então foi capaz de assumir uma nova postura mais franca, agressiva, sedutora e intensa, os novos tempos trouxeram muito prazer e alguma felicidade.

Mas como quem acorda de ressaca de muitos meses de hiperestesia, assim tem sido a vida de duas semanas para cá. Os olhos, atentos a tudo como nunca. O corpo porém, ainda imóvel, aguarda a hora de poder esboçar os primeiros movimentos com mais cuidado. O otimismo faz pensar nesse novo estado anestésico como um recuo estratégico para um coração que pede paz e constância por não suportar mais tanta arritmia. Mas que ao mesmo tempo é incapaz de desaquecer, pois desaprendeu para sempre a viver dentro de uma geladeira.

7 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Que ele nunca mais reaprenda a ficar gelado, mas que aprenda a calibrar as intensidades que ele mais deseja, que o deixam mais feliz. Um trabalho árduo, de tentativa e erro, que pressupõe um jogar-se na vida quase que obrigatório, necessário, prazeroso, tesudo, mas cada vez mais inteligente e maduro. Gelar ou travar é sempre um anestésico rápido e eficiente, mas como a aspirina, não consegue curar as causas da dor ou qualquer outra coisa que o esteja incomodando. Me identifico muito com esse papo de ter perdido coisas na vida por ter sido gelado, e espero que o meu coração também desaprenda isso (se é que já não desaprendeu). Deve ter muita fofoca por aí que eu to perdendo, adoraria saber só a metade!
http://omegafone.zip.net

7:39 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Caro libriano tão adorável quanto confuso,

A coisa mais bonita em você é esse seu coração fervente
que consegue aquecer amizades separadas por horas. Um coração que bate sem parar e (quase nunca) se envergonha disso. senti-me muito feliz de poder ter sido seu leitor/ouvinte nos últimos 4, 5 dias e espero ter ajudado. Estarei sempre aqui, e daqui há alguns dias estarei de fato aí, pra o que der (uepa) e vier (já que afinal, você também já teve que aconselhar o canceriano melado e nostálgico que vive na colônia).

Siga o conselho do cyber-flaneur: o importante é não perder o romantismo nem a cabeça, não deixar que nenhum dos dois domine o outro. é difícil pacas, mas você já tem consciência que talvez consiga equilibrar.
como o sujeito o megafone acima, me identifico bastante com esse seu passado de "geladeira". e também venho me sentindo mais quentinho nos últimos tempos, compartilhando parte dos seus medos.

Enfim... você já descongelou a geladeira e a porta está aberta. algém vai acabar querendo fuxicar, quem sabe até alguém queira "pôr na consul" (ahahaha - péssimo!).Quem será? Hoje, agora, não importa.
O que já está importando é que você deve se amar mais do que ao próximo (foda-se a Bíblia) e esperar e se dar um tempo pra amar de verdade. você merece.

acho que fui confuso, mas eu também sou não é?

beijos cariocas.

2:06 AM

 
Anonymous Anônimo said...

Tá bôua?

Beijos do Mutatches.

4:02 AM

 
Anonymous Anônimo said...

como capricorniano, tô com o rique e não abro...e o próprio movimento de perceber as coisas, de inconformismo (ainda que paralisado) já é esboço de reação...e às vezes acaba vindo de fora o que tanto se espera dentro...como diz uma música, ´the dream keeps coming, even when you forget to feel...´ Abs, tommie.

11:26 AM

 
Blogger D*b* said...

Megafone,
eu realmente tomei a aspirina no feriadão, sabendo q ela é parte de um tratamento pra curar meu desapego por tantas coisas em q sempre acreditei. Sinceramente, cansei de magoar e ser magoado por dar importância demasiada a impulsos sem medir suas conseqüencias. O post anterior sobre a Quimica do Cupido tem a ver um pco com isso, com esse impulso desmesurado de querer viver as coisas agora e depois ver no que vão dar... Esse círculo pode ter sido prazeroso no começo, depois disso tornou-se viciante e vicioso e agora insuportável...

Cyber-flaneur canceriano melado nostálgico carioca confuso,
vc pegou. A cabeça de baixo tomou conta do campinho e me tirou completamente dos eixos por um ano e meio mais ou menos... Não a ponto de me tornar sacana e desonesto só por diversão, mas quando há tantos sentimentos envolvidos numa relação, não importa o qto vc seja franco com o outro qto às suas intenções, a cabeça de cima tb precisa comandar boa parte das atitudes, ou o estrago acaba sendo equivalente. E eu hj ainda me sinto um pco desconfortável com os estragos que fiz e sofri por aí... Mergulhar de cabeça só é bom MESMO depois q vc tem fortes indícios de que os dois juntos podem chegar muito longe... Ou quando tá muitíssimo óbvio q não haverá nada além de uma ou duas trepadinhas e depois a gente se vê por aí, quem sabe... Entre uma coisa e outra, bom mesmo é saber estar só... Enfim, eu não fechei minha consul descongelada não, nem pruma coisa, nem pra outra, mas tou achando melhor deixar cada uma numa gavetinha à parte... Obrigado por tudo. :-P

Ó-te-ma, Putatches!

Rique, Tommie, Alien,
acho q não é hibernação, isolamento, etc, é na prática um simples “não se jogar” tão apressado. Num tô virando freira não meu, tampouco me sinto destruído (embora antes eu tenha chegado bem perto disso – legal a metáfora do ovo...). A anestesia é forçada pelas feridas sim, mas é principalmente estimulada pelas crenças que a gente cultiva ao longo da vida e que momentaneamente abandona. No caso, viver de menos sensações e mais sentimentos, menos (mas não muito menos) sexo puro e simples e muito mais amor... Sem exclusões né, q a gente tem pau e tb é filho de Deus, mas sem exageros... E nada disso me faz sofrer, pois é positivo e estimulante hoje e amanhã... E se vier de fora, e provavelmente virá, que venha bem devagar, que eu ainda tenho muita coisa pra botar em ordem nessa cabecinha pra lá de confusa... :-) Aí sim as boas novas se tornarão ótimas novas.. :-) Thanx pipol! :-))))

12:53 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Db, que bom ler essas coisas, achei lindo e me identifico muito com isso tudo que você falou! Meus processos vão por outras direções, mas acho que esse sentido que voce exprimiu aí tem tudo a ver com as coisas que tenho passado nesse último ano pelo menos... To torcendo pra voce ficar numa boa!
http://omegafone.zip.net

3:14 PM

 
Anonymous Anônimo said...

talvez eu te deixe mais confuso do que nunca, mas estava navegando pela internet e - pasme! - achei um blog com um texto meu, que publiquei em 2 sites há muuuuuuuuuuuuuito tempo (sim, o cara deu o crédito, virei celebridade portanto! rsrsrs). imediatamente lembrei de você e seu momento "back to the consul", relendo este meu texto sobre o livro/filme/peça "Alta Fidelidade". Eu amo o livro, recomendo você lê-lo, se não fez na época em que ele foi badalado. Na época, ele mudou bastante minha maneira de pensar.

o meu texto taqui, corre lá e lê: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/high-fidelity/critica13.html

do carioca em trânsito, que acaba de revelar sua identidade secreta pra toda a paulicéia d*b*lística.

beijos.

1:47 AM

 

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