11/05/05

Hoje, 11 de maio, o aniversário dele teria sido novamente festejado. E eu, provavelmente, teria aproveitado o Dia das Mães para passar o fim-de-semana em Porto Alegre. Para comemorar as duas datas, como em quase todos os anos, junto dele e dela.
Mas não há o que lamentar, os fatos não são assim tão difíceis de se compreender. Difíceis são os poucos domingos à tarde em que me vejo eventualmente só. E, sem pensar, quase telefono para conversar sobre a semana, trabalho, saúde, qualquer coisa. E então, rapidamente percebo que não haverá ninguém do outro lado da linha, que não há mais ele, nem ela.
Agora somos três irmãos, cada qual morando numa cidade. Tentando reengrenar nossas rotinas, tentando refazer laços, tentando preencher os espaços deixados pelos dois. Nossa união tem tornado tudo mais leve, menos vazio e doloroso. Nossos dramas, nossas alegrias, nossos sentimentos, esses têm sido compartilhados sem medo - um próspero recomeço.
Recomeço sem pais, sem avós. Longo hiato das tantas histórias perdidas nalguma rua de Pelotas ou fazendinha pobre em Piratini. Histórias quase nunca fixadas pela nossa curta memória, a não ser pelo pouco, muito pouco que nos foi contado. Histórias às vezes ilustradas no álbum de fotografias daquele belo casal, outras vezes narradas pela caprichosa escrita das cartas antigas que não tivemos coragem de ler. Histórias incineradas, pulverizadas, cinzas cuidadosamente guardadas que ainda não tivemos oportunidade de lançar. Histórias, algumas delas, invariavelmente lembradas em datas como esta que nunca, nunca mais, voltaremos a festejar.

6 Comments:
Nossos pais possuem um significado simbólico imenso
(além de todos os outros, é claro),
mas o vínculo mais forte que possuímos é com nossos irmãos.
Entre todos os seres do mundo, não há ninguém tão parecido conosco.
Irmãos são uma dádiva.
E também são o outro lado da linha telefônica.
11:48 AM
Parabéns pela beleza e delicadeza do texto, e por tê-lo dividido aqui conosco. Abraços.[tommie]
10:12 PM
Eu ainda os tenho. Sei que vou sentir a mesma coisa mais para a frente, mas prefiro não pensar nisso agora. Escapismo é *a* solução.
Antaggio
6:43 PM
Desde minha infância, as coisas tem mudado, ontem estava lembrando das coisas que não voltam mais, do bolo da minha avó que nenhuma tia lembra como fazer, da casa antiga que foi derrubada, e que ninguem tirou fotos....das histórias de lobisomem que acreditavamos.....tudo isso passou....mas o presente está aqui......
3:02 PM
Galera, gracias pela força! :-)
3:11 PM
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E eu, que tento no momento me preparar para a ausência - que sei que será inevitável e que começa a ficar mais perto a cada dia que passa - fiquei com os olhos marejados, pensando nos dois, nas tantas vezes em que pude conviver um pouquinho com eles; de quando ela me chamava de seu "filho mais velho", aceitando o que não era dito - e que nunca foi, oficialmente...
Mas enfim, eles se foram, e ver as fotos dos dois ali me encheu o coração de pré-tristeza pelos Meus Dois que ainda estão aqui, mas que em breve não mais estarão.
O melhor jeito, é claro, é curtir ao máximo estas datas enquanto elas ainda fazem sentido!
Beijo bem carinhoso pra vc querido :-)
Pedro
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12:16 PM
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