O Mapa-múndi de D*b*zinho

D*b*zinho nunca foi fanático por televisão. Menino inteligente, passava a maior parte do tempo inventando brinquedos, estudando ou fuçando os livros da casa. Certo dia, encontrou um mapa-múndi. O nome em si, para ele, já era fascinante: m-a-p-a-m-ú-n-d-i. Por que múndi e não mundo? Múndi ou mundo, enfim, o mundo que ele acabara de descobrir era desse jeito: muito mar, pouca terra. E ali dentro, perdidinha numa ponta, estava sua imensa Porto Alegre, que ele não conhecia nem a metade. Um pontinho preto no papel, no meio de outros tantos pontinhos, todos pretos. Liechtenstein, Cuzco, Jacarta, Quebec, Saskatchewan, Tegucigalpa, Leipzig, Guadalquivir, quantos nomes fascinantes ele acabara de descobrir! E na Índia, então? Jabalpur, Varanasi, Indore, Bangalore, Madras, Calcutá, como seriam? E o centro de Nova York, caramba, era uma ilha!
Em plena idade dos por quês, D*b*zinho queria saber sempre mais: qual a maior montanha, o maior rio, o maior lago, a maior cidade, o maior país. E assim passava muitas de suas manhãs livres, debruçado sobre aquele pedação de papel. Contornando fiordes com o dedinho e a imaginação, sobrevoando os lagos canadenses, os picos do Himalaia. Devorava sua enciclopédia favorita, a Geografia Ilustrada, assistia aos filmes da Sessão da Tarde e, logo em seguida, ia procurar no mapa todos os lugares que havia visto nos livros ou na televisão. J*b*zão, orgulhoso como sempre, não perdia uma oportunidade de testar os conhecimentos do filhote. Katmandu, Chengdu, Andorra, Ouagadougou, onde ficam? D*b*zinho não errava uma.
Mas chegou o dia em que D*b*zinho começou a se cansar do seu mapa-múndi, a esta altura bem encardido e desgastado nas dobras, meio rasgado e desbotado. Já conhecera outros mapas mais completos, o da França, o da Grécia, o do Rio Grande, o de Porto Alegre, todos com ferrovias, estradas, lugares novos e muito mais detalhes. Já ganhara de aniversário um globo terrestre que até lâmpada dentro tinha. Ainda assim, naquele dia, ele ficou imaginando: e se esse mapão enorme fosse todo desenhado com uma caneta tão fina, mas tão fininha, que até as ruas do bairro estariam lá? Aí, bastaria ter um jogo de lentes, umas mais simples como as dos binóculos e outras iguais às do microscópio da escola, para poder aumentar mais ou menos, poder ver tudo o que a gente quiser ver, do jeito que quiser, em qualquer lugar do mundo. Percorrer o caminho até a escola, viajar na estrada que leva até a cidade onde a mãe nasceu, contar quantos quarteirões tem Manhattan - uma ilha comprida de quadras regulares trespassadas pela Broadway e com um grande parque bem no meio, quem não sabe disso, pai? - Não seria demais? Mas que pena, não havia como fazer um mapa assim...
Passaram-se quase trinta anos, tanto tempo que D*b*zinho já havia há muito esquecido da sua genial invenção. Isso até o dia em que ela, surpreendentemente, virou realidade. Tão fascinado pelos contornos do planeta quanto antes, ele agora podia passar horas na companhia do novo mapa-múndi, onde se vêem todos aqueles lugares que habitavam sua imaginação desde muito cedo. Um mapa fantástico que não tem lentes de aumento, que não é feito com caneta de ponta microscópica, que nem de papel é. Mas que é, ainda assim, tal qual D*b*zinho um dia sonhou: earth.google.com.

10 Comments:
Essa foto de neném é linda... Eu me lembro que quando tinha uns 12, 13 anos, tive uma fase mapas. Mas eu desenhava continentes ficcionais, e inventava histórias para os povos que habitavam e colonizavam as terras... Ficava viajando nos nomes e nas guerras entre eles...
3:43 PM
Também tive a época de mapa mundi. Me lembro na terceira série, com nove anos, enchia a boca ao falar que sabia a capital de todos os países. Na quarta série, eu desenhava mapas nos cantos das folhas do caderno.
Esse google earth é espantoso mesmo. Eu encontrei Orlândia! Pior, eu consegui distinguir o quarteirão onde está a casa dos meus pais.
5:46 PM
texto lindo, meu querido, merecedor de constar em algum livro de geografia por aí.
quanto ao google earth, eu acho ele tão fascinante quanto amedrontador. se fazer literalmente o mundo girar, viajar de um ponto ao outro do planeta, achar o seu país, a sua cidade, seu bairro, sua rua e quiçá SEU CARRO dentro do mundo é aquilo que os gringos estao disponibilizando para o PÚBLICO EM GERAL, imaginem que tipo de informação eles têm como secreta????
toda vez que eu brinco com o google earth eu me divirto muito. mas ao mesmo tempo sinto como se tivessem um milhão de satélites devassando e fotografando meu útero no mesmo momento. E DEVEM TER MESMO!
DJ LEON
ps: quer dizer que as férias eram o famoso cú doce? bem, ao menos o cu algum dia vai estar no google earth, cheio de açucar.
1:09 PM
É muito louco mesmo esse site. Eu sou fascinado por gerografia também , embora prefira a parte prática da coisa , que é viajar para conhecer de perto os lugares.Bjs
3:27 PM
Mais um pouco e eu ia começar a ouvir "Aquarela" lendo esse post.
3:27 PM
será que nesse mapa eu finalmente me encontro? {tommie}
5:27 PM
Acabei de dar uma entrevista pra FOLHA DE S.P. sobre o Google Earth. Deve sair nos próximos dias... :-)
9:12 PM
caraca!!!!!!!!!!!!!!!! (onomatapéia que, em si, demonstra de que região do Brasil eu venho e que se fosse acompanhada da expressão "mermão" encheria meus conterrâneos de orgulho!)
a parada (! idem!) das vaquinhas! a primeira vez que fui a SP DB me contou sobre issso... já havia me esquecido. quer dizer que vai rolar mesmo?
dj
10:31 PM
onomatopéia ou interjeição? acho q o rick vai me xingar...
10:31 PM
Atualiza essa merrda, porr favorr???
9:20 PM
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