quarta-feira, janeiro 25, 2006

Um Museu de Grandes Novidades

Quando morava em Porto Alegre, achava a Folha de São Paulo o máximo. Cheguei a virar assinante mas, rapidamente, descobri que o diário paulistano era feito por jornalistas quase tão despreparados e alienados quanto os da Zero Hora, um jornaleco lá do sul do Brasil.

Vejam o exemplo das matérias sobre tribos urbanas. Uma das coisas que mais me incomoda na imprensa de segundos cadernos é essa mania criar tribos pra tudo. Eu até ia citar algumas, mas nessa hora nenhuma vem à mente, é o tipo de tendência que no domingo seguinte você já esqueceu. O mais interessante neste processo de Geração Automática de Tribos da Folha é sua facilidade operacional: entreviste algumas pessoas do circuito da mídia/moda/artes, batize a sua tribo com um nominho novo, de preferência em inglês e a capa da Ilustrada ou da Revista da Folha estará garantida.

Eis que o pessoalzinho antenado do jornal em questão não se conteve e voltou a ditar tendência, ao revelar para o mundo sua mais nova descoberta: os New Gays - ou anti-barbies, caras que gostam de coisas alheias ao 'universo gay', têm um visual mais largado e por acaso também gostam de homem, apesar de não usarem camisetinhas coladas com bíceps à mostra e, surpreendentemente, curtirem rock. E foram buscar alguns exemplares deste novo gay sabem onde? Na SPFW, naturalmente. Afinal, tribo que é tribo deve ter antes de mais nada muito brilho e glamour.

Posso até estar enganado, afinal, não sou jornalista. Mas pela descrição da tal matéria, garanto que convivo com New Gays há pelo menos 15 anos, o que os tornaria nem tão new assim. Tá certo que não tínhamos ipods nem circulávamos com nosso cabelo moderno, camiseta de banda e jeans sequinho pelo Pavilhão da Bienal, ou seja, definitivamente não éramos supertendência. Mas daí dizer que, até semana passada, todo o gay era bombado, depilado, narcisista e que adorava fazer carão em clube, tenha dó.

Para conferir a grande novidade, acesse o Museu da Folha no link abaixo:
www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u57069.shtml

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

pra começar, se for falar em gerações, eu acho os gays novinhos (18-23 anos digamos) de hoje, ao menos aqui no Rio, MUITO mas MUITO mais posers do que qualquer "narcisista" descrito pela materia. a bunker e o dama de ferro estão cheias de pessoas literalmente fantasiadas, parecendo palhaças, independente da opção sexual, mas nos gays isso parece ficar ainda mais over.

e a materia aidna pro cima é preconceituosa, taxando um comportamento "Melhor" e "mais correto". alem disso nao consegue definir se esta falando de homens mais "discretos", que sempre existiram, daí o termo, ou daqueles que não conseguem nem assumir o rótulo gay, dizendo serem "meninos que gostam de meninos". PÉÉÉÉSSIMO!

LeoN

11:43 PM

 
Anonymous Anônimo said...

A Folha não é referência pra ninguém. Tá muito ruim mesmo... =/

10:55 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Querido, acho vazio de mais vc julgar a qualidade do jornal, apenas pelo segundo caderno! Para segundo caderno, acho que a Zero Hora tá ótima, apesar de não me chamar atenção as manchetes e os colunista! Folha de São Paulo é uma merda mesmo, já ouviu falar no diário gaúcho?

9:03 AM

 
Blogger D*b* said...

Na Folha só se salvam Conys, Calligaris e afins. O resto é tão ruim qto em qq jornaleco (ou rádio ou TV) do sul vinculado à RBS. Se o anônimo prestar bem atenção, vai entender não houve julgamento do jornal todo em função de segundos cadernos - a Ilustrada foi apenas usada pra e-xem-pli-fi-car a notória mediocridade do diário paulistano.

Infelizmente, não há muito o q ler nesse país fora a Carta Capital e a Caros Amigos... :-(

6:47 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Viva os gays anorexicos de pau pequeno!! Viva!!!

2:08 PM

 

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