quinta-feira, agosto 23, 2007

Celulares

Há poucos anos, ganhei de presente do meu amigo P*m* um celular Motorola lindo. Lindo por fora, lindo por dentro e cabia direitinho no bolso. O melhor foi descobrir que a interface, a usabilidade e todo resto também eram perfeitos. E o que não era, ele ainda permitia customizar com relativa facilidade. Não me recordo de ter utilizado o manual sequer uma vez para as funções básicas. Mesmo para as mais complexas, uma consulta rápida bastava.

O que eu não esperava é que o aparelho fosse tão frágil - acontece da gente esquecer isso quando já se acostumou a ele. Tinha levado uns tombos, é verdade, hoje vejo que não cuidei dele tão bem quanto poderia. Se bem que alguns tombos são sempre inevitáveis. E foi quando o levei pra praia em janeiro, que começou a dar sinais de que não funcionaria mais tão bem. Areia, chuva, umidade... O visor ficou opaco, cada vez mais. Tempos depois, uma das teclas já funcionava com dificuldade, prejudicando parte das funções. Mais alguns meses, o tombo definitivo. Morte anunciada.

Fiquei uns dias sem telefone, poucos na verdade. Celular é coisa que a gente não consegue deixar de usar a não ser que mude de vida, o que não era o caso. Pois bem. Minha primeira idéia foi adquirir um outro Motorola, por causa da interface simples, intuitiva. Mas ainda lembrando do ocorrido, resolvi escolher um diferente, mais robusto, feito para durar. Naquele dia, fiquei entre dois. Com ambos na promoção, era para levar mesmo. Escolhi o melhor e mais bonito, o Samsung. Não exatamente meu design predileto, mas a marca era conhecida e parecia ser boa. Era melhor do que eu imaginava.

Abri o aparelho novo e gostei. As luzinhas não eram como as do Motorola, o toque também não; mas como eu não havia escolhido um Motorola, não desejava mesmo que fosse igual. Como também já tinha ouvido falar mal do modelo, fiquei com um pé atrás. Bobagem, pra mim funcionou legal. Porém, percebi que algumas das funções mais corriqueiras não tinham atalhos tão simples, o que criava a necessidade de apertar mais teclas para chegar onde queria, mais do que estava acostumado a fazer. Para não falar dos menus, submenus, da aparente falta de lógica na estruturação das funções. Inclusive, muitas das teclas pareciam não acionar as funções que deveriam, se é que elas existem. É como se cada vez que abrisse o celular, precisasse aprender novamente a usá-lo. Basicamente, é como se não tivesse sido feito para mim.

A merda toda é que eu não sei ser prático. Não consigo sair trocando de aparelho só por causa desses incômodos. Como se, mesmo com toda dificuldade, ainda tenha alguma certeza de que posso me acostumar ao seu modus operandi. Mais: tenho o prazer irracional, quase infantil de ficar descobrindo atalhos, fuçando aqui e ali, às vezes tentando customizá-lo. E, mesmo sem tanto sucesso, isso faz com que de algum modo se torne divertido e eu acabe me apegando a ele. Para piorar, não consigo simplesmente aposentar o Samsung e procurar outro aparelho com interface mais simples, usual. Já o tinha aposentado até ontem, mas ele continua tocando todo dia e eu atendo. Ou então, me pego fuçando nas teclinhas sem perceber, o tempo inteiro.

Na real, nem sei se o problema é com o Samsung, que sempre foi assim. Talvez o problema seja comigo mesmo que, além de não resolver de uma vez se troco ou não de aparelho, ainda me perco nesse tipo de comparação.