segunda-feira, outubro 29, 2007

Pequenas Ocorrências, Grandes Indícios

Pequenos acidentes, embora mal-vindos, costumam ser reveladores. Outro dia mesmo estava bebendo com um amigo e passou por mim um ex-namorado, que na época havia me abalado bastante. Após cumprimentá-lo, derrubei acidentalmente o copo de chope que estava sobre a mesa. Felizmente, meu copo não costuma ficar cheio por muito tempo, o que evitou uma cena ainda mais deprimente.

Na sexta passada, foi um pouco mais preocupante. A fila do banheiro do bar estava maior do que a minha paciência para aguardar a vez. Resolvi utilizar o toilette externo, um canteiro na calçada carinhosamente apelidado pelos freqüentadores do bar de 'A Palmeirinha'. Estava finalizando a operação quando inclinei a cabeça para frente e senti uma estocada na córnea do olho direito. Fora fincada por uma das folhas da graciosa 'Palmeirinha', num deliberado ato de vingança por toda a uréia ali depositada ao longo dos anos. Mais alguns minutos, tive de retornar para casa, com o olho bastante irritado.

Bem, eu tinha milhares de coisas legais, modernas e interessantes pra fazer ao longo de todo sábado. Uma amiga da faculdade, amiga das boas que eu não via há anos, com os mesmos gostos, as mesmas referências, passaria por São Paulo por algumas horas. A gente ficaria o dia juntos, indo ao museu, livraria, restaurante. Ao mesmo tempo, meu amigo estava filmando um curta e pediu pra eu dar uma passada lá, pois seria divertidíssimo e eu poderia dar uns palpites sobre a produção, a trilha, o figurinho, sem o menor compromisso. Pra terminar, meu ex estava em São Paulo e me chamou para ver com ele um filme da Mostra no fim da tarde.

Porém, eu não podia sair de casa, mal podia abrir o olho, extremamente sensível à luz do sol, do computador, da tevê, da tela do cinema. Ler então, nem pensar, forçava demais a vista. O jeito foi ficar de molho, sozinho, pingando colírio na córnea antes de ir ao pronto-socorro. Fazendo porra nenhuma o dia inteiro. Depois de 3 punhetas, duas horas de sono e já morrendo de tédio, senti falta de um Companheiro. Ausência grande daquele cara que espontaneamente quer estar ao seu lado, te procura não importa pra quê, se pra fazer o programa mais legal, moderno e interessante ou o mais despretensioso, como deitar a cabeça no colo e ficar falando merda a tarde inteira.

Mas depois de tanta balada, de tantas ficadas com vários caras, cadê ele? Remoendo minhas velhas culpas, havia deixado no gelo um cara mais ou menos assim, por medo de magoar alguém outra vez. Gostoso pra caralho, diga-se de passagem. Mas tem uma hora em que é preciso deixar de ser bonzinho e aceitar certos riscos, como o de reincidir com alguém que talvez, em determinado momento, você não considere 'o cara'. E foi o que fiz no domingo - mas ainda é cedo, muito cedo pra falar sobre isso. O importante agora é que o olho está recuperado e minha visão (desculpe...) a respeito desses relacionamentos legais, modernos e interessantes onde não existe companheirismo algum está mudando. Mudou.

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Com tudo isso, acabei esquecendo completamente de recarregar as baterias do meu celular Samsung, que deve apagar a qualquer momento. :-)