Recaída Aeroportuária
Embora estivesse adiando há meses, uma hora eu teria de enfrentar sozinho esse fantasma: o aeroporto. Nada a ver com crise aérea. Tudo a ver com as lembranças que a rotina de tomar um avião sexta à tarde me trariam - faz alguns meses, terminei um longo namoro em que nos víamos só nos fins-de-semana, um viajando para a cidade do outro, alternadamente. No caminho, passando pela mesma avenida de sempre, entre os papos de taxista de sempre, flashbacks das dezenas de idas a Congonhas. Trinta minutos ininterruptos. Foi pisar no saguão do aeroporto e comecei a chorar, como uma criança desamparada.
Adiar não resolve. Seis meses não são suficientes. Não importa onde nem quando, recaídas acontecem e é bom aceitá-las para deixar a dor restante ir embora. Recaídas: sempre boas para perceber a importância que alguns relacionamentos têm na sua vida, enquanto outros em que você até chega a apostar, em pouco tempo desaparecem sem uma marca, um significado mais profundo.
Aproveitei o retorno a São Paulo para reler alguns e-mails lindos que trocamos ao longo dos últimos anos. Toda a vontade de estar junto, a saudade do outro, tudo exposto, sem disfarces nem joguinhos. Uma tortura remexer nos arquivos, mas também uma delícia, que faz querer reviver tudo aquilo com outra pessoa, um dia, quem sabe. E, ao mesmo tempo, que ajuda a não mais aceitar qualquer um de qualquer jeito, obrigando a uma solidão quase sempre desconfortável, à falta de colo na pior época do ano para se estar só.

1 Comments:
Caraca, tava remexendo nos meus posts de 2004, achei esse link, vim cair aqui e voce retomou os textos... pena que aconteceu isso, tomara que de tudo certo ai. Saudades te muita coisa que vivi por ai, te desejo tudo de bom nesse fim de ano!
2:57 AM
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