Cego?
Não é possível que o outro tenha mudado tanto em tão pouco tempo. Seus amigos não mudaram tanto assim. Sua família, ou qualquer um à sua volta, também não. Mesmo você, que passou por uma quarentena pós-separação brava, só conseguiu mudar um tantinho. Então, o que aconteceu?
A persona do outro a que você agora assiste perplexo, e que antes achava tão bonitinha, tão cativante, parece distante demais daquele que um dia te fisgou. Você o vê, revê e, confuso, sente a necessidade de perguntar pro amigo ao lado: mudou mesmo ou eu nunca percebi que era assim?
Talvez, na época em que estiveram juntos, sua influência o tenha feito não manifestar essa persona tão fortemente. Talvez as novas experiências o tenham transformado definitivamente. Mas lá no fundo, você já sabe: ele sempre foi assim. Não que seja ruim. Não que seja total novidade para você. Mas é uma conclusão libertadora. Porque joga toda a responsabilidade por ter-se apaixonado por ele um dia no seu colo. Afinal, é você que cultiva o hábito de cegar aquilo que não te agrada tanto no outro e, com o tempo, passa a idealizá-lo a ponto de acreditar que dificilmente poderá encontrar alguém à altura.
No dia seguinte você acorda, do nada, com os olhos vermelhos, irritados, provável conjuntivite alérgica. Por que será?

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